Novos enfoques sobre a migração transnacional e a mudança cultural

Ignacio Corona e Abril Trigo, editores

alter/nativas e o grupo de trabalho sobre Migração e Transnacionalismo do Centro de Estudos Latino-americanos da Ohio State University solicita ensaios sobre o tema do impacto cultural do fenómeno da migração desde, para, e através da América Latina. Este dossiê temático se centrará em novas conceptualizacões disciplinares e/ou interdisciplinares, abordagens metodológicas, implicacões de políticas e estudos de caso relevantes para a relação entre cultura e migração no contexto global transnacional. Tal relação pode ser examinada desde a perspectiva das comunidades emissoras ou receptoras de migrantes ou da dos próprios migrantes.  Temos um interesse particular naquelas abordagens à mudança cultural, seja de curto ou longo prazo, atribuíveis à migração. Embora os acadêmicos não concordem sobre como, e em que medida, a migração gera uma mudança cultural quantificável em grupos, comunidades e indivíduos e como estudar melhor este fenômeno, poucos negariam que como um todo a migração é um dos principais fatores causais ou catalisadores de tal mudança. Desde a conformação de novas subjetividades, padrões de conduta e atitudes à adaptação individual particular dos migrantes a seu meio ambiente; da mudança em cultura econômica nas comunidades emissoras à resistência política e étnica nas comunidades receptoras; da mudança em papéis de gênero e valores à mudança de afiliações religiosas; da mudança de formas de consumo cultural à emergência de tendências de produção cultural, uma relação causal complexa e multifatorial inevitavelmente –embora de maneira imprecisa-  se estabelece entre a migração e a cultura.

Além disso, e sobretudo em termos individuais, é tal mudança cultural um fenômeno irreversível para o resto da vida ou pode ser revertido ou “desaprendido” na reincorporação dos migrantes a suas comunidades originais?  Alguns especialistas em temas da migração, como Tamar Jacoby, argumentam que os migrantes que regressam não só retêm, como também devolvem seus novos conjuntos de habilidades, valores e conhecimentos a suas comunidades originais. Outra questão é em que medida estes novos conjuntos podem perder seu sentido, ou eficácia, e eventualmente se desvanecer nas dinâmicas culturais tradicionais de suas comunidades. Estas questões e linhas de investigação são oportunas perante a nova relevância adquirida por fenômenos como a migração mexicana “nula” depois da crise econômica de 2008 nos Estados Unidos. Esta pode recordar aos acadêmicos dos Estados Unidos e da América Latina que os circuitos e fluxos migratórios podem ser alterados e inclusive revertidos. Mais importante ainda, a migração pode não ser sempre um fenômeno unidirecional e permanente, senão também fluido e circular, sempre sujeito a variaveis geoeconômicas, geoculturais e geopolíticas do regime global.

Ensaios de não mais do que 8.000 palavras ou propostas detalhadas podem ser enviadas em português, espanhol ou inglês, incluindo um resumo de 250-300 palavras e um CV abreviado do autor ou autores, até 18 de junho de 2014 para Ignacio Corona (corona.7@osu.edu) ou Abril Trigo (trigo.1@osu.edu).