A trilha do yawar mayu. Etnicidade e ideología na obra de José María Arguedas

Gustavo Hernández

Este estudo descreve as vicissitudes na relação dos principais grupos no Peru, através do resume do que o mais fino observador-participante bilíngue, José María Arguedas, percebeu das transformações ocorridas nos anos da pós-guerra. Poucos antropólogos e estudiosos da realidade andina alcançam perceber na sua real dimensão aquela transformação como um processo de “transculturação” massiva. No primeiro lugar, este estudo discute as dificuldades para a compreensão dos fenômenos sociais mediante o uso exclusivo de categorias cientificas, argumentando-se a notável contribuição de Arguedas às problemáticas planteadas desde a antropologia. A vida e a obra cientifico-literária de Arguedas presentam-se como uma clave para entender a transformação que o Peru experimenta no século XX. Posteriormente analisa-se o status quo prévio a aquela transformação, argumentando-se que, durante o período 1932-1958, em condições de dominação de tipo de casta ou de “congelação” da ralação entre os grupos indígena e hispano-católico, existiam poucas possibilidades para uma frutífera aproximação. Esta situação reverte-se, porém durante o período 1958-1962, e expressa-se de maneira eloquente no estúdio de Arguedas sobre as comunidades rurais de Espanha e Peru e, mais diante, na sua afiliação com certo enfoque “desenrolamentista”. A principal temática de Arguedas expressada como a comunicação entre culturas continua com o passar da sua vida, e manifesta-se com maior radicalidade nos choques urbanos de Chimbote. As fervuras do principal porto de pesca do Peru, com a sua avalancha de ácido e vida, precipitaram em 1969 a morte do porta-voz do mundo andino em transição. Na secção final do presente livro realiza-se um balance dos anos posteriores à morte de Arguedas traindo para a atualidade a mensagem da sua epistemologia.